Com aliados de João Azevêdo na estrada, oposição senta, observa e espera erro - Suetoni Souto Maior
Leia a matéria de Suetoni Souto Maior:
As movimentações visando as eleições do ano que vem andam em ritmo acelerado, seja a cavalo ou qualquer outro tipo de transporte. Mas um traço tem caracterizado este cenário: a presença tímida dos ícones da oposição nas agendas. E quando me refiro aos ícones, me refiro aos dois nomes que aparecem com maior aderência para a disputa: Cássio Cunha Lima e Pedro Cunha Lima, ambos do PSD. Depois de um movimento inicial, ambos se recolheram para observar os passos dados pelos governistas e analisar possíveis rompimentos entre os aliados do governador João Azevêdo (PSB).
Este movimento de senta e espera não é novidade. Em 2022, parecia que não haveria adversário para tentar impedir a reeleição de João Azevêdo. De última hora, Pedro foi sacado do colete e deu muito trabalho ao governador, que venceu por uma margem relativamente apertada. A estratégia, agora, parece ser a mesma. Houve uma movimentação política intensa com a conquista do comando do PSD, mas que foi sendo reduzida gradativamente. Movimento parecido também com o do ex-ministro Marcelo Queiroga (PL), representante da extrema-direita no processo eleitoral.
O compasso de espera tem razão de ser: aguardar um eventual erro da base governista. O grupo é grande e com muitas peças em condições de disputar o Palácio da Redenção. O PP, por exemplo, tem dois nomes: o prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena, e vice-governador Lucas Ribeiro. O Republicanos tem o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, e o presidente da Assembleia, Adriano Galdino. Já o PSB, aparentemente, vai se contentar com a indicação de João Azevêdo para a disputa de uma vaga no Senado. Mesmo assim, o cenário não é simples e há riscos, sim, de ruptura. Os aliados do governador sabem disso.
Na posse de João Azevêdo no comando do PSB, na semana passada, todas as lideranças que tiveram direito a fala ressaltaram a importância da unidade. O motivo, naquele momento, era a investida da oposição para dividir o grupo. Não raro, lideranças da oposição apareciam em agendas de Cícero Lucena e houve quem espalhasse que o progressista poderia ser candidato pelo governo ou na oposição, o que foi rechaçado pelo prefeito. A estratégia governista, desde então, tem sido de blindagem e gasto da sola de sapato, para evitar guerras internas.
Enquanto isso, correndo por fora e com ilusório desinteresse, a oposição espera.
Com informações de Suetoni Souto Maior