Operação Retomada: Gaeco estima em R$ 126 milhões as fraudes contra aposentados; R$ 10 milhões foram bloqueados na Paraíba
Leia a matéria de Suetoni Souto Maior:
A investigação consudizida pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público da Paraíba, relacionadas à nova fase da operação Retomada, revelam prejuízo de R$ 126 milhões contra 100 mil aposentados de todo o país. A segunda etapa da ação foi desencadeada nesta sexta-feira (16), tendo como alvos advodos, entidades associativas e um servidor do Judiciário estadual. Ao todo, estão sendo cumpridos seis mandados de busca e apreensão foram autorizados pelo Tribunal de Justiça da Paraíba e estão sendo cumpridos na Paraíba e em São Paulo.
A operação mobilizou cinco promotores, 26 agentes do Gaeco, dois auditores da Controladoria-Geral da União (CGU) e 15 policiais civis. Até o momento, mais de R$ 10 milhões já foram bloqueados em contas das associações investigadas. A primeira fase da operação foi deflagrada em 11 de dezembro de 2024. Nela, o juiz Glauco Coutinho, da comarca de Gurinhém, foi afastado, suspeito de facilitar o funcionamento do esquema com decisões direcionadas. Foram apreendidos documentos e eletrônicos que embasaram o avanço da investigação.
Além das fraudes nos benefícios, o esquema atuava também em outras modalidades: liminares para “limpar o nome” de devedores sem quitar dívidas, suspensão de empréstimos consignados para liberar artificialmente margem para novos contratos (sem pagar os anteriores), e até manipulação de sistemas de milhas aéreas para reativar pontos vencidos e gerar lucro indevido aos envolvidos.
A nova fase da Operação Retomada escancara o que os investigadores chamam de um verdadeiro consórcio do crime institucionalizado. A apuração revela um esquema robusto que envolvia advogados, um servidor do Judiciário estadual e entidades de fachada, todos operando para fraudar aposentadorias e pensões em larga escala.
O golpe tinha múltiplas frentes. De um lado, associações criadas artificialmente aliciavam aposentados — em especial os mais vulneráveis — com promessas de benefícios e suporte jurídico. Na prática, vendiam empréstimos com juros abusivos, disfarçados de mensalidades associativas. Tudo sem regulação do Banco Central e sem qualquer controle legal.
Com os nomes captados, os operadores do esquema ajuizavam ações coletivas em comarcas específicas, previamente escolhidas, mesmo sem vínculo com as partes envolvidas. Nessas varas “amigas”, os processos corriam em sigilo, sem contraditório, sem o Ministério Público e com decisões relâmpago baseadas em documentos forjados. O objetivo era simples: legitimar descontos indevidos diretamente nos benefícios previdenciários.
Com informações de Suetoni Souto Maior