SUETONI: Motta joga balde de água fria em articulação pela anistia aos golpistas de 8 de janeiro
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O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), usou a reunião de líderes desta terça-feira (20) para dar um recado direto aos defensores da anistia aos envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro. Disse que não adianta aprovar uma proposta que o Supremo Tribunal Federal vai derrubar por inconstitucionalidade.
A declaração, de acordo com apuração do G1, caiu como uma ducha fria sobre os parlamentares da oposição, que voltaram a pressionar pela votação da proposta. Para Motta, não faz sentido o Congresso aprovar um texto, o presidente sancionar, e o STF jogar tudo no lixo depois. A fala foi interpretada como um aviso: sem acordo prévio com o Judiciário, não há avanço possível.
Nos bastidores, o movimento é visto como uma tentativa do presidente da Câmara de tirar o tema da frente — ou ao menos empurrá-lo para fora do centro da pauta. A proposta de anistia contaminou a agenda legislativa nas últimas semanas e virou um ponto de atrito entre governo, oposição e Judiciário.
A versão mais recente do projeto perdoa atos do passado e do futuro ligados ao 8 de janeiro, inclusive crimes eleitorais, e garantiria direitos políticos a quem foi condenado. É leitura corrente entre os líderes que o texto foi desenhado sob medida para beneficiar o ex-presidente Jair Bolsonaro.
O líder do PL, Sóstenes Cavalcante (RJ), não gostou do recado. Disse que se recusa a submeter qualquer proposta ao aval prévio do STF. E relembrou que já elaborou um projeto alternativo, que concede anistia parcial — deixando de fora quem foi flagrado em vídeo destruindo o patrimônio público.
Houve ainda, por parte do líder do PP, Dr. Luizinho (RJ), a sugestão para que alguém apresente um novo relatório, o que, na prática, adia qualquer decisão. Para a base do governo, a manobra também serve para expor o PL: se quiserem seguir adiante com o projeto, terão que mostrar claramente que pretendem livrar Bolsonaro.
A avaliação de aliados de Motta é que o presidente da Câmara até reconhece que há penas duras demais, mas não está disposto a comprar briga com o Supremo por isso. Em um ambiente já tensionado, o paraibano parece preferir cautela. E, pelo visto, não vai se mover sem saber como o STF se posicionará.
Com informações do Portal Suetoni Souto Maior