Myrna Maracajá faz postagem emblemática contra decreto PAROXÍSTICO de Bruno Cunha Lima
Perfil de Myrna Maracajá: PSICANALISTA / PROFESSORA / DOUTORA EM PSICOLOGIA CLÍNICA - na verdade, pela sua própria história, pela história da sua família e, principalmente, a história da professora Eneida Agra Maracajá, Dra. Myrna dispensa qualquer apresentação.
Leia publicação feita pela psicanalista em suas redes sociais:
"psimyrnamaracaja Prefeito, não faça isso não, não proiba o carnaval!
Essa vida já é de amargar, sem carnaval a gente não sobrevive não. Alerquim está chorando, não mais pelo amor da Colombina, mas de desgosto. Sem carnaval, sem cair no passo, sem a máscara, o confete e a sepentina, a gente vai sucumbir. Sim, a gente sucumbe ao tédio, à opressão, às crueldades e todos os tipos de violência.
O Carnaval Tradição de Campina Grande é o carnaval dos que ficam. É o carnaval da tão marginalizada periferia. O carnaval dos excluídos. Prefeito, é o carnaval dos que não podem viajar para os grandes blocos, com seus abadás e cordões de isolamento.
Não faça isso com os bois, papangus e a la ursas.
Deixe o carnaval acontecer no carnaval. Não silencie a alegria do povo. A alegria é uma forma de resistir e existir. Eduardo Galeano bem nos lembra que, se a religião diz que o corpo é uma culpa, o corpo a isso respode: eu sou uma festa!O Carnaval existe desde antes de Cristo. Aliás, a festa, a dança e a música sempre estiveram presentes nos rituais pagãos e cristãos.
Ademais, o Evangelho não é contra as manifestações de alegria. Há tempo para tudo, para orar, jejuar e festejar. O profano também é sagrado. A alegria, a celebração, o batuque é, também, uma forma de oração, é uma prece, um louvor. Há espaço para todos. Por que silenciar o carnaval, durante o carnaval?
A espera dura um ano inteiro. As alegorias, os brilhos, o samba no pé precisam desfilar na avenida.
Poderia o Natal ser antecipado? Poderia o São João acontecer em dezembro? Que o fundamentalismo e a intolerância se humanizem e deixem o nosso carnaval desfilar, batucar, resistir.
Calar o carnaval, silenciar as ruas de Campina, apagar o brilho das lantejoulas, sequestrar os confetes e serpentinas, é crueldade. É favorecer um grupo de intolerantes e negligenciar o cuidado com o povo. Prefeito, deixe o carnaval dar às mãos ao sagrado. Campina é Grande, nela cabe muito, cabem todos os credos, todas as cores, todos os ritmos.
Não me leve a mal, prefeito, pois já é quase carnaval. Não existe pecado ao sul do Equador. Ô abre alas que o Carnaval
Tradição quer passar... "
(Foto: intervenção de @gleydsonvirgulino).
Por Milton Figueirêdo