Hugo Motta nega ter traído o governo com derrubada do decreto do IOF
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O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), reiterou nesta segunda-feira (30) a decisão do Congresso de invalidar três decretos do governo Lula que aumentavam as alíquotas do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Motta classificou como “fake” a acusação de que teria “traído” o Palácio do Planalto por não ter comunicado previamente a inclusão da proposta na pauta de votações.
Ele afirmou ter alertado o governo sobre a dificuldade de aprovação da matéria no Parlamento, comparando a situação a um “capitão que vê o barco indo em direção ao iceberg e não avisa”.
“Capitão, que vê o barco indo em direção ao iceberg e não avisa, não é leal, é cúmplice. E nós avisamos ao governo que essa matéria do IOF teria muita dificuldade de ser aprovada no Parlamento”, disse Hugo Motta em um vídeo.
Motta tem utilizado as redes sociais para enviar recados ao governo, meio pelo qual anunciou a votação que culminou na derrubada dos decretos. A decisão pegou o Planalto e lideranças parlamentares de surpresa, resultando em uma derrota histórica para o governo Lula. Na Câmara, a derrubada foi aprovada por 383 votos a 98, com 242 votos de partidos da base governista. No Senado, a aprovação foi simbólica.
O deputado defendeu a decisão como um reflexo da insatisfação do Congresso com os aumentos de impostos e argumentou que a polarização política está “cansando muita gente”.
Na postagem, o presidente da Câmara também voltou a repetir que não atende a projetos políticos individuais. “Presidente de qualquer Poder não pode servir a um partido, tem que servir ao seu país”, declarou.
Repercussões e análise da AGU
A postura de Motta e de outros deputados foi influenciada por pressões internas, do mercado e por reveses relacionados a emendas parlamentares. O governo Lula, por sua vez, acionou a Advocacia-Geral da União (AGU) para analisar se a decisão do Congresso fere a autonomia entre os poderes. Segundo o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, se a AGU concluir que houve usurpação de prerrogativas do Executivo, o presidente Lula deverá recorrer à Justiça.
Com informações do Paraíba Já