A hora de os bombeiros entrarem em campo na base aliada de João Azevêdo
"O mês de agosto tem sido pródigo, na política paraibana, em acontecimentos capazes de definir seus rumos. Um deles é o clima de rompimento deflagrado na base governista, vívido desde a semana passada. Mas é importante observar, dando dois passos atrás, que ele favorece mais a oposição que o grupo liderado pelo governador João Azevêdo (PSB). O motivo é bem simples: para quem está com a caneta, antecipação de eleição nunca é bom, porque encurta o mandato. E todos sabem disso.
A antecipação do clima eleitoral é visível há meses, mas ganhou impulso maior com o movimento do senador Efraim Filho (União Brasil) rumo ao bolsonarismo. Isso rachou a oposição, que antes tinha movimentação tímida, mas sinalizava unidade. Quando o parlamentar fez o movimento em direção à extrema-direita, deixou pelo caminho o senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB), que tem ojeriza ao palaque bolsonarista, e Pedro Cunha Lima (PSD), com sua desejada fama de isentão.
Esse movimento parece ter repercutido na base governista também, onde a disputa interna entre o prefeito Cícero Lucena e o vice-governador Lucas Ribeiro, ambos do PP, ocorria com certa elegância de lado a lado. Cenário que mudou com as cobranças do deputado federal Aguinaldo Ribeiro (PP), tio de Lucas, por uma definição rápida. O parlamentar corre contra o tempo por dois cenários: ver o sobrinho anunciado candidato e conquistar o comando da federação PP/União Brasil, na Paraíba.
A batalha é travada por Aguinaldo com Efraim Filho, que tentam convencer o comando nacional da Federação União Progressita sobre suas chances eleitorais. O cálculo é que se Lucas tiver o nome confirmado para a disputa pela base governista, terá o comando do grupo e poderá enxotar Efraim para o PL. O problema disso, para a base governista, é que o movimento também manda para fora da base governista, de forma precoce, o prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena.
O gestor tinha agenda conjunta com Lucas prevista para sexta-feira (8), em Campina Grande. O vice-governador comandaria a Plenária do Orçamento Participativo na cidade, depois de participar de entregas do governo em substituição a João. O script incluía um papel secundário para o prefeito de João Pessoa. Ele passaria, cumprimentaria as lideranças e iria embora para uma segunda agenda do dia, assistir a um curta em homenagem a Ronaldo Cunha Lima, já falecido, de quem foi vice-governador.
Informações de bastidores de que poderia ser vaiado no evento levou o gestor, segundo o apurado pelo blog, para a segunda agenda, onde estavam ícones da oposição não bolsonarista. Daí para fotos com o senador Veneziano Vital do Rêgo e com o ex-governador Cássio Cunha Lima (PSD) foi só um pulo. O passo seguinte a tudo pode ser panos mornos para abrandar a fervura ou lenha na fogueira. A segunda opção, para a base governista, não parece a melhor opção, ao menos por ora."
Com informações do Blog do Suetoni