Medidas do governo para socorrer empresas do tarifaço são paliativas, de curto prazo e custeadas pelo Tesouro, diz especialista
Durante entrevista ao GloboNews, neste domingo (10), o professor Vitelio Brustolin, do Instituto de Estudos Estratégicos da Universidade Federal Fluminense, explicou que o pacote do governo federal, com o objetivo de socorrer empresas brasileiras já incluídas no tarifaço de Donald Trump, é um “alívio a curto prazo”, principalmente para indústrias que têm produtos perecíveis, como peixes e frutas. “Outros produtos, como o café, por exemplo, podem ficar até um ano para serem torrados ou até dois anos, dependendo de como forem armazenados. De qualquer forma, são medidas paliativas, ou seja, subsídios: os recursos vêm do Tesouro, todos nós brasileiros pagaremos essa conta. São medidas emergenciais, aplicadas de forma diferente de acordo com a urgência de cada setor e a carga de tarifa aplicada. Elas, sozinhas, não vão resolver o problema. Enquanto isso, o governo precisa buscar diálogo tanto com os Estados Unidos quanto com países que possam comprar parte dessa produção”, afirmou ele. O professor destacou que commodities são mais fáceis de terem sua venda renegociada para o futuro. No entanto, produtos semimanufaturados, especialmente da indústria de transformação e que são destinados aos Estados Unidos com especificações próprias, não podem ser redirecionados para outros mercados.
Informações do GloboNews