Professor critica falta de estratégia: Brasil não usou a Embraer como trunfo para negociar tarifa com os EUA
O Brasil enfrenta dificuldades para reagir ao tarifaço imposto pelos Estados Unidos, devido à falta de uma estratégia clara de negociação, afirmou o professor Vitelio Brustolin, do Instituto de Estudos Estratégicos da UFF, durante entrevista neste domingo (10). Para ele, o país poderia ter contado com a Embraer como peça-chave para pressionar Washington, mas a ausência de unidade e de um plano estratégico prejudicaram essa possibilidade.
"O Brasil não teve uma estratégia. Por exemplo, a Embraer negociou com os Estados Unidos para que as tarifas ficassem em apenas 10% e agora está tentando transferir para lá a linha de montagem do KC-390, um avião militar de ponta que produz para os EUA. Isso geraria dois mil empregos. A Embraer está certa em buscar seus próprios interesses, mas esse tipo de ação geralmente é usado em benefício da nação, do Brasil. O país poderia ter procurado a Embraer e dito: 'Olha, precisamos que vocês nos ajudem nessa negociação. Vocês são estratégicos para nós e para os Estados Unidos. Nos ajudem a negociar. Vocês são nossos trunfos.' O Brasil não usou essa carta porque, neste momento, não tem uma estratégia de negociação."
Informações do GloboNews